ALUNOS
COM NECESSIDADES ESPECIAIS
PREVALÊNCIAS DE ALUNOS COM
NECESSIDADES ESPECIAIS
“Inserção do aluno com Necessidades
Educativas Especiais (NEE) na classe regular onde, sempre
que possível, deve receber todos os serviços educativos adequados, contando-se,
para esse fim, com o apoio apropriado (de docentes especializados, de outros
profissionais, de pais…) às suas características e necessidades.” (Correia, 1997)
Correia (1997) sintetiza a evolução da integração
da seguinte forma:

“Processo de aprendizagem e de mudança que se
opera num aluno através do ensino e de quaisquer outras experiências a que ele
é exposto nos ambientes onde interage.” (Correia, 1997)
“Conjunto de serviços de apoio especializados
destinados a responder às necessidades especiais do aluno com base nas suas
características e com o fim de maximizar o seu potencial. Tais serviços devem
efectuar-se, sempre que possível, na classe regular e devem ter por fim a
prevenção, redução ou supressão da problemática do aluno, seja ela do foro
mental, físico ou emocional e/ou a modificação dos ambientes de aprendizagem
por forma a que ele possa receber uma educação apropriada às suas capacidades e
necessidades.” (Correia, 1997)
ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
Segundo Correia (2008c), podemos distribuir os
alunos com necessidades especiais em 3 grupos:
·
Risco educacional
·
Sobredotação
·
Necessidades Educativas Especiais (NEE)
“Os alunos em risco
educacional são aqueles que, devido a um conjunto de factores tal como o
álcool, drogas, gravidez na adolescência, negligência, abusos, ambientes
socioeconómicos e socioemocionais mais desfavoráveis, entre outros, podem vir a
experimentar insucesso escolar. Estes factores, que de uma maneira geral não
resultam de imediato numa “discapacidade” ou problemas de aprendizagem, caso
não mudem ou sejam atendidos através de uma intervenção adequada, podem
constituir um sério risco para o aluno, em termos académicos e sociais.” (Correia,
2008c)
“As crianças e os adolescentes sobredotados são aqueles
identificados por pessoas qualificadas profissionalmente que, devido a um
conjunto de aptidões excepcionais, são capazes de atingir um alto rendimento.
Essas crianças e adolescentes requerem programas e/ou serviços educativos
específicos, dentro da designada “Educação para a sobredotação”, diferentes
daqueles que os programas escolares normais proporcionam, para que lhes seja
possível maximizar o seu potencial no sentido de virem a prestar uma
contribuição significativa, quer em relação a si mesmos, quer em relação à
sociedade em que se inserem.” (Correia, 2008c)
Renzulli (1979, cit. in Correia,
2008c) afirma que a sobredotação deve congregar pelo menos 3 factores
essenciais:
·
Uma capacidade mental superior à média
·
Uma grande força de vontade traduzida por um superior envolvimento na
tarefa (motivação)
·
Uma capacidade criativa elevada que permita ao indivíduo produzir, visualizar,
dramatizar ou ilustrar superiormente uma ideia
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS
(NEE)
Uma das definições de NEE,
Correia (1997), comummente usada no nosso país, diz-nos o seguinte:
“Os alunos com necessidades educativas especiais são aqueles que, por
exibirem determinadas condições específicas, podem necessitar de apoio de serviços
de educação especial durante todo ou parte do seu percurso escolar,
de forma a facilitar o seu desenvolvimento académico, pessoal e socioemocional.”
Ainda na óptica do mesmo autor,
por condições específicas entende-se:
“O conjunto de problemáticas relacionadas com autismo, surdocegueira,
deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência mental, deficiência
motora, perturbações emocionais graves, problemas de comportamento, dificuldades
de aprendizagem, problemas de comunicação, traumatismo craniano,
multideficiência e outros problemas de saúde. As condições específicas são
identificadas através de uma avaliação compreensiva, feita por uma equipa
multidisciplinar, também por nós designada por equipa de
programação educativa individualizada (EPEI).”
PREVALÊNCIAS DE ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

ALUNOS SOBREDOTADOS: Cerca de 5%
a 12%
ALUNOS EM RISCO EDUCACIONAL:
Cerca de 10% a 20%
(Correia, 2008a)
Estimativa
do nº de alunos com NEE com apoio de serviços de educação especial.
|
Nº alunos |
Prevalência das NEE em
Portugal (estimativa com base nos valores internacionais / 10 - 12%) |
Alunos com NEE apoiados (3,76%) |
Estimativa do nº de alunos
com NEE não apoiados em Portugal (6,24 - 8,24%) |
|
1 463 681 |
146 368 - 175 641 |
54 979 |
91 389 – 120 662 |
(Correia, 2008a)
·
Constituição da República Portuguesa
·
Lei de Bases do Sistema Educativo
·
Decreto-Lei 3/2008, de 7 de Janeiro
·
Portaria 891/99
DEFINIÇÃO DE DEFICIÊNCIA VISUAL
INDICADORES DE POSSÍVEIS PROBLEMAS
VISUAIS
COMO LIDAR
COM OS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA VISUAL
(Serrano, 2008)
DEFINIÇÃO DE DEFICIÊNCIA VISUAL
Na óptica de Correia (2008c), a Deficiência Visual diz respeito
a “uma incapacidade de visão significativa ou total que, mesmo depois de corrigida,
afecta negativamente a realização escolar da criança. O termo inclui dois
grandes grupos de crianças – as cegas e as portadoras de visão parcial ou
reduzida (em Portugal usa-se, por vezes, o termo ambliope para designar este
grupo).
De acordo com o Ministério da Educação português (2002, cit. in
Correia, 2008c), do ponto de vista clínico, um indivíduo pode ser considerado
deficiente visual quando apresenta significativas limitações:
1)
Na acuidade visual
2)
No campo visual
Entende-se por acuidade
visual a capacidade que a pessoa tem para perceber e discriminar pormenores
de um objecto a uma determinada distância.
Entende-se por campo
visual a distância angular que o olho consegue abranger, sendo o da pessoa
normovisual de cerca de 180º sem mover a cabeça.
Deste modo, e
tendo em conta a opinião de Correia
(2008c), dividimos a deficiência visual em duas partes distintas:
Cegueira: Acuidade visual binocular
corrigida entre 1/20 e 1/50 ou com um campo visual com ângulo <10º (N=180º).
·
Ausência total de visão ou simples percepção luminosa.
Baixa Visão: parcial (acuidade visual no melhor olho e com correcção entre 1/10 e 3/10 e
sem problemas no campo visual).
·
Residual (acuidade visual < 1/10 e um campo visual < ou = 20º).
·
Apesar das limitações usa ou é potencialmente capaz de usar a visão para o
planeamento e ou execução de uma tarefa.
Martín &
Ramírez (2003) distribuem os principais tipos de problemas de visão da seguinte
forma:
Anomalias que afectam a córnea
CERATITE
DISTROFIAS
CORNEANAS
CERATOCONE
Anomalias que afectam a úvea
ALBINISMO
ANIRIDIA
COLOBOMA (DA ÍRIS,
DA CORÓIDE, …)
Anomalias que afectam o cristalino
CATARATAS
CONGÉNITAS
AFACIA CIRÚRGICA
POR CATARATA CONGÉNITA
SUBLUXAÇÃO DO
CRISTALINO
Anomalias que afectam a retina
CORIORRETINITE
ACROMATOPSIA
DEGENERAÇÃO
MACULAR
DESPRENDIMENTO DE
RETINA
FIBROPLASIA
RETROLENTAL
RETINOPATIA
DIABÉTICA
RETINOSE PIGMENTAR
Anomalias que afectam o nervo óptico
ATROFIA ÓPTICA
Anomalias que afectam a pressão intra-ocular
GLAUCOMA
Anomalias que afectam a mobilidade ocular
NISTAGMO
ESTRABISMO
Anomalias de refracção ocular
HIPERMETROPIA
MIOPIA
ASTIGMATISMO
AVALIAÇÃO DA DEFICIÊNCIA
VISUAL
No esquema que se segue podemos visualizar, segundo
Serrano (2008), uma síntese da avaliação da deficiência visual:
|
MÉDICA - Profissionais
da saúde |
EFICIÊNCIA - Entrevistas
aos pais - Educadores e
professores |
|
|
|
|
- Acuidade
visual - Campo Visual |
Modo como a
criança utiliza a sua visão Avaliação
funcional da visão |
INDICADORES DE POSSÍVEIS PROBLEMAS VISUAIS
Em seguida
apresentam-se indicadores de possíveis problemas de visão mencionados por Ruiz, Molina, Bueno, & Lara (2003).
Na aparência dos olhos
·
Vesguear (para dentro ou para fora), quando está cansado
·
Olhos ou pálpebras avermelhados
·
Olhos aquosos
·
Pálpebras afundadas
·
Treçolhos frequentes
·
Pupilas nubladas ou muito abertas
·
Olhos em constante movimento
·
Pálpebras caídas
No comportamento da criança
·
Corpo rígido ao ler ou olhar para um objecto distante
·
Inclinar a cabeça para a frente ou para trás ao olhar para objectos
distantes
·
Giro da cabeça para usar um só olho
·
Inclinação lateral da cabeça
·
Colocação da cabeça muito próximo do livro ao ler ou escrever, manter o
material muito perto ou muito longe
·
Franzir constantemente as sobrancelhas ao ler ou escrever
·
Piscar os olhos em excesso
·
Esfregar excessivamente os olhos
·
Fechar, cobrir uma vista ou inclinar a cabeça
·
Falta de gosto pela leitura ou falta de atenção
·
Fadiga incomum ao terminar uma tarefa visual
·
Uso do dedo ou lápis como guia
·
Não gosta, evita, pestaneja muito, tem dificuldade em actividades que
requerem a utilização da visão
·
Esbarra em objectos
Nas queixas da criança associadas ao uso dos olhos
·
Dores de cabeça
·
Náuseas ou vertigens
·
Ardor ou coceira nos olhos
·
Visão turva a qualquer momento
·
Dores oculares
COMO LIDAR
COM OS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA VISUAL
A Associação de Cegos
Louis Braille enuncia algumas estratégias para lidar com pessoas portadoras de
deficiência visual, das quais destacamos:
·
Ofereça ajuda a
uma pessoa cega se lhe parecer que ela está a necessitar. Só deve agir com a
sua concordância.
·
Pergunte antes de
agir. Se não sabe como ajudar, peça explicações de como fazê-lo.
·
Para guiar uma
pessoa cega, esta deve segurar-lhe pelo braço, de preferência no cotovelo ou no
ombro. Não a pegue pelo braço: além de perigoso, pode assustá-la. À medida que
vai encontrando degraus e outros obstáculos, vá orientando. Em lugares muito
estreitos para duas pessoas caminharem lado a lado, coloque o seu braço para
trás de modo que a pessoa cega possa segui-lo.
·
Ao sair de uma
sala, informe o(a) cego(a); é desagradável para qualquer pessoa falar para o
vazio.
·
Não evite palavras
como "cego", "olhar" ou "ver", os(as) cegos(as)
também as usam.
·
Ao explicar
direcções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível. Não se
esqueça de indicar os obstáculos que existem no caminho. Como algumas pessoas
cegas não têm memória visual, não se esqueça de indicar as distâncias em metros
(por exemplo: "uns vinte metros para a frente"). Mas se não sabe como
orientar uma pessoa cega, diga algo do género: "eu gostaria de ajudar, mas
como é que devo descrever as coisas?", ele(a) lhe dirá.
·
Ao guiar um(a)
cego(a) para uma cadeira, guie a sua mão para o encosto da mesma, e informe, se
a cadeira tem braços ou não.
·
Num restaurante, é
de boa educação que você leia o cardápio e os preços.
·
Uma pessoa cega
deve ser tratada com o mesmo respeito que os “não cegos”.
DEFICIÊNCIA AUDITIVA
DEFINIÇÃO DE DEFICIÊNCIA AUDITIVA
CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA
O PROFESSOR NA IDENTIFICAÇÃO
DE PROBLEMAS AUDITIVOS

(Serrano, 2008)
DEFINIÇÃO DE DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Na opinião de Correia (2008c), “numa perspectiva clínica, ser surdo
significa apresentar uma deficiência auditiva resultante de lesão no aparelho
auditivo que se traduz na impossibilidade de ouvir ou na dificuldade em ouvir
determinados sons. Numa perspectiva sociocultural, assumidas pelas comunidades
surdas, ser surdo significa pertencer a uma comunidade minoritária linguística
e cultural. Existem perdas auditivas de carácter definitivo.”
Correia (2008c), refere ainda que o termo técnico para designar
surdez ou perda auditiva é hipoacusia. As perdas de audição definem-se segundo
o seu tipo e grau. Existem três tipos de surdez:
·
de transmissão,
referente a um problema do ouvido médio e/ou externo, na maioria dos casos
temporária;
·
neuro-sensorial,
referente a um problema do ouvido interno e/ou nervo auditivo, de carácter
definitivo;
·
mista, referente a
uma conjugação dos dois tipos de perda.
O grau de surdez é definido
em:
·
ligeiro, perda
media entre 40 e 69 db);
·
moderado ou médio
(perda media de 70 a 99 db);
·
profundo (perda
superior a 100 db).
Surdez – A pessoa surda não é capaz de utilizar a audição para
compreender a fala.
·
Mesmo com
aparelho, a perca auditiva é tão grande que torna a criança surda incapaz de
compreender a fala através do ouvido.
·
Embora alguns sons
possam ser percebidos através da audição residual, a criança utiliza a
visão como primeira modalidade para a aprendizagem e comunicação.
Hipoacusia – É uma perca auditiva que torna necessárias, algumas
adaptações.
·
Compreende e
responde à fala e a outros estímulos auditivos, geralmente com a ajuda do
aparelho auditivo.
·
As aptidões de
linguagem e da fala, embora possam revelar um atraso ou ser deficientes,
desenvolvem-se sobretudo através do canal auditivo.
(Correia, 2008c)
CAUSAS DA
DEFICIÊNCIA AUDITIVA
No site “Entre Amigos - Rede de Informações Sobre Deficiência”, podemos
encontrar algumas causas para a deficiência auditiva:
São várias as causas que levam à deficiência auditiva. A
deficiência auditiva condutiva, por exemplo, tem como um dos factores o
acumular de cera no canal auditivo externo, gerando perda na audição. Outra
causa é as otites. Quando uma pessoa tem uma infecção no ouvido médio, essa
parte do ouvido pode perder ou diminuir a sua capacidade de
"conduzir" o som até o ouvido interno.
No caso da deficiência neurossensorial, há vários factores que a causam, um
deles é o genético. Algumas doenças, como rubéola, varíola ou toxoplasmose, e
medicamentos tomados pela mãe durante a gravidez podem causar rebaixamento
auditivo no bebé.
Uma criança ou adulto com meningite ou sarampo também pode ter como sequela a
deficiência auditiva. Infecções nos ouvidos, especialmente as repetidas e
prolongadas e a exposição frequente a barulho muito alto também podem causar
deficiência auditiva.
Embora tenham sido identificados mais de cem causas para a perca auditiva,
a causa exacta é desconhecida para 50% das crianças.
O PROFESSOR NA IDENTIFICAÇÃO DE
PROBLEMAS AUDITIVOS
Na sala de aula, Stephans, Blackhurst & Maglioca, (1982, cit. in
Serrano, 2008), destacam alguns problemas auditivos que podem ser identificados
pelo professor:
·
Parecem existir queixas relacionadas com os ouvidos?
·
Existe uma articulação deficitária de sons, especialmente a omissão de
consoantes?
·
Quando estão a ouvir rádio ou televisão o aluno levanta o som de tal forma
alta que os outros se queixam?
·
O aluno vira a cabeça para o local do som num esforço aparente para escutar
melhor?
·
O aluno pede para repetir frequentemente o que acabou de ser dito?
·
O aluno parece desatento e não responde frequentemente quando se lhe fala
num tom de voz normal?
·
O aluno mostra-se relutante em participar em actividades orais?
PERTURBAÇÕES EMOCIONAIS OU DO COMPORTAMENTO
Para Correia (2008c), o termo descreve uma condição que exibe
uma ou mais das seguintes características durante um longo período de tempo e numa
extensão tal que afecta negativamente a realização escolar da criança:
a)
Incapacidade
inexplicável para a aprendizagem, que não pode ser explicada por factores
intelectuais, sensoriais e de saúde;
b)
Incapacidade para iniciar
ou manter relações interpessoais satisfatórias com os seus pares e professores;
c)
Comportamentos ou
emoções inapropriadas em circunstâncias normais;
d)
Estado geral de
infelicidade ou de depressão;
e)
Tendência para
desenvolver sinais físicos ou medos associados ao pessoal ou aos problemas da
escola.
O termo incluiu a esquizofrenia. O termo não se aplica a
crianças socialmente mal ajustadas, a não ser que se determine que apresentam
distúrbios emocionais. (Individuals disabilities Education
Act/IDEA, 1997)
DEFICIÊNCIA
MENTAL/PROBLEMAS INTELECTUAIS
DEFINIÇÃO DE DEFICIÊNCIA MENTAL
DEFINIÇÕES IMPORTANTES NA DEFICIÊNCIA MENTAL
COGNIÇÃO E APRENDIZAGEM NA
DEFICIÊNCIA MENTAL
SISTEMAS DE APOIO NA DEFICIÊNCIA
MENTAL
DEFINIÇÃO DE DEFICIÊNCIA MENTAL
Segundo Luckasson et al. (1992), a deficiência mental refere-se a limitações
substanciais na funcionalidade actual. É caracterizada por um significativo
funcionamento intelectual abaixo da média (QI entre 70 a 75 ou abaixo), que
geralmente coexiste com limitações em duas ou mais das seguintes áreas do
comportamento adaptativo: comunicação, cuidados pessoais, tarefas domésticas,
competências sociais, utilização dos serviços da comunidade, autonomia, saúde e
segurança, competências académicas funcionais, lazer e trabalho. A deficiência
mental manifesta-se antes dos 18 anos.
Esta definição de Luckasson implica que sejam respeitados os seguintes
princípios:
·
A avaliação tem de ter em devida conta a diversidade cultural e linguística,
e as diferenças entre diferentes grupos nos aspectos da comunicação e do
comportamento;
·
A determinação de limitações em competência adaptativas tem de respeitar as
características do contexto comunitário de que a criança faz parte e os apoios ou
oportunidades de aprendizagem que lhe foram proporcionados;
·
Muito frequentemente, pode acontecer que, a par de limitações adaptativas
específicas, existam potencialidades em outras áreas adaptativas ou capacidades
pessoais;
·
Geralmente, o funcionamento da pessoa com deficiência mental melhora se lhe
forem proporcionados apoios adequados durante um período de tempo continuado.
DEFINIÇÕES IMPORTANTES NA DEFICIÊNCIA MENTAL
Tomando por base
Luckasson et al, (1992), vamos definir alguns conceitos que nos parecem
importantes quando falamos de deficiência mental.
Capacidade adaptativa
Eficácia ou grau, segundo os quais o indivíduo realiza os padrões de independência
pessoal e de responsabilidade social esperado para o seu grupo etário ou/ e grupo cultural.
Comunicação
Comportamentos relacionados com a compreensão e a expressão de linguagem
verbal e não verbal.
Autonomia pessoal
Comportamentos de higiene/alimentação/vestir/despir.
Autonomia em casa
Comportamentos relacionados com trabalhos domésticos: cuidar da roupa,
arranjos, preparação e confecção da comida, compras, etc. Comportamentos
relacionados com a orientação em casa, nas redondezas, comunicação de escolhas
e necessidades, interacção social e aplicação das aprendizagens académicas em
casa.
Competências sociais
Comportamentos relacionados com trocas sociais, incluindo a iniciação, a
manutenção e a finalização de interacções com outras pessoas, o controlo da
impulsividades, o fazer escolhas, o conviver de acordo com leis e as regras
sociais, o saber partilhar, etc.
Autonomia na comunidade
Comportamentos relacionados com a utilização adequada de recursos
comunitários, incluindo viajar em transportes públicos, fazer compras, ir à
escola, livrarias, parques, igreja, teatro, cinema, ou outros eventos, culturais,
etc.
Auto-direcção
Comportamentos relacionados com tomar decisões, fazer escolhas; aprender e
seguir um horário, resolver problemas do seu meio familiar; mostrar
comportamentos assertivos.
Saúde e segurança
Capacidades relacionadas com a manutenção da própria saúde, em termos de
uma alimentação saudável, de identificação, tratamento e prevenção de doenças;
de realização de actividade física; princípios básicos de primeiros socorros;
sexualidade; medicina dentária; regras básicas de segurança; protecção e acções
criminosas.
Funcionamento académico
Capacidades cognitivas e comportamentais relacionadas com as aprendizagens
escolares que também têm aplicação directa na vida do dia-a-dia
(funcionalidade).
Lazer
Capacidades relacionadas com o desenvolvimento de interesses de lazer e de
actuação nos locais onde as actividades decorrem.
Emprego
Capacidades relacionadas com o como manter um emprego a tempo inteiro ou
parcial, aspectos específicos do trabalho, sociais, horário, finanças, etc.
COGNIÇÃO E APRENDIZAGEM NA DEFICIÊNCIA
MENTAL
Smith, (1998, cit. in Martins, 2008), enumera alguns aspectos relativamente
à cognição e aprendizagem na deficiência mental:
·
Tarefas simples são difíceis de aprender
·
Dificuldade em efectuar novas aprendizagens
·
Dificuldade em generalizar
·
Pouca capacidade para aprendizagens, “acidentais”- não planeadas
·
Aprendizagem mais lenta
·
Dificuldade em comportamentos complexos e abstractos
·
Dificuldade em seleccionar os aspectos relevantes
SISTEMAS DE APOIO NA DEFICIÊNCIA MENTAL
«Recursos e estratégias que promovem o interesse
e a motivação das crianças/jovens com e sem NEE. Estes apoios permitem que as
crianças/jovens tenham acesso a recursos inerentes aos ambientes onde
interagem; resultando num aumento da sua independência, produtividade,
integração, e satisfação» (Luckasson et al., 1992).
Ainda segundo Luckasson, emergem daqui algumas questões importantes
relativamente aos sistemas de apoio na deficiência mental.
NATUREZA DOS SISTEMAS DE APOIO
Apoios naturais: recursos do próprio, da
criança/jovem com DM - família, os amigos, e os vizinhos.
Gratuitos: os comuns apoios da comunidade
vizinha, tais como clubes de recreação, centros de dia.
Apoios genéricos: aqueles a que todos temos direito
ao acesso, tal como transportes púbicos, ou serviços do estado (Ex: autocarro
adaptado).
Apoios especializados: aqueles específicos da NEE,
tais como terapias, serviços sociais, médicos, psicológicos, formação
profissional, intervenção precoce, educação especial, etc.
Intermitente: Na base do necessário. Caracterizados pela natureza episódica e
descontínua. O aluno nem sempre necessita do apoio; ou apenas necessita em
períodos específicos de transição.
Limitado: Caracterizado por uma certa consistência ao longo do tempo; limitado no
tempo.
Extensivo: Apoios que denotam um envolvimento regular (diário), pelo menos nalguns
contextos específicos (casa, escola, trabalho,..), não se encontrando definido
o período de tempo de aplicação.
Permanente: Apoios caracterizados pela constância e pela alta intensidade; sendo o
estilo permanente e denotando uma maior intrusão do que os restantes.
RECURSOS
·
Profissionais
·
Outras pessoas
·
Tecnologia
·
Serviços
FUNÇÕES
·
Amizades
·
Ensino
·
Planeamento financeiro
·
Emprego
·
Comportamento
·
Saúde
·
Assistência em casa
·
Acesso e uso de recursos da
comunidade
FINALIDADES
·
Aumento do nível das competências adaptativas / capacidades funcionais.
·
Maximização dos objectivos habilitativos relacionados com o bem-estar
físico, psicológico ou funcional, e com a saúde.
·
Aumento da participação na comunidade: presença, escolha, competência,
respeito, e contribuição.
DEFINIÇÃO DE PARALISIA CEREBRAL
ETIOLOGIA DA PARALISIA CEREBRAL
CARACTERÍSTICAS MOTORAS NA
PARALISIA CEREBRAL
POSSÍVEIS PROBLEMAS ASSOCIADOS
DEFINIÇÃO DE
PARALISIA CEREBRAL
«Conjunto de desordens caracterizadas por disfunções de carácter
neurológico e muscular que afectam a mobilidade e o controlo motor. O termo
cerebral reporta-se às funções do cérebro e o termo paralisia às desordens de
movimento e de postura» (Nielsen, 1999, p.95, cit. in Martins, 2008).
Desordem, permanente, mas não imutável, do movimento e da postura,
provocada por uma lesão cerebral, que geralmente ocorre antes, durante ou logo
após o nascimento (National Information Center for Children and Youth with
Handicaps, 1991; Rodrigues, 1989, cit. in Martins, 2008).
ETIOLOGIA DA PARALISIA CEREBRAL
Factores pré-natais (1%): predisposição familiar,
infecções (rubéola, citomegalovirus, toxoplasmose), trauma físico,...
Factores peri-natais (95%): trauma físico, anóxia,
hemorragia intracraniana...
Factores pós-natais (4%): trauma físico, infecção
(ex: meningite), acidentes vasculares, anóxia, tumores...
(Heward, 2000; Rodrigues, 1989; e Schleichkorn 1993, cit. in Martins, 2008)
CARACTERÍSTICAS MOTORAS NA
PARALISIA CEREBRAL
(ESPASTICIDADE,
ATETOSE, ATAXIA)
Espasticidade (50-60%)
(desordem piramidal)
·
Desarmonia de movimentos voluntários
·
A coordenação agonista - antagonista encontra-se afectada
·
O aluno apresenta um movimento, voluntário, lento e explosivo, mas
organizado
·
Linguagem explosiva, com longas pausas
Atetose (20%)
(desordem dos gânglios basais)
·
Disfunção dos reflexos posturais
·
Movimentos involuntários desritmados, que dificultam a realização
harmoniosa de movimentos voluntários
·
Extrema amplitude de movimentos (fixação das articulações)
·
Níveis tónicos flutuantes
·
Ligeiros problemas de articulação, ou ausência de linguagem falada
Ataxia (1-10%)
(desordem do cerebelo)
·
Descoordenação de movimentos, marcha alargada, com frequentes problemas de equilíbrio,
descoordenação global e tremor a acompanhar os movimentos voluntários
(instabilidade de movimentos/desadequação face às solicitações do meio)
(Heward, 2000; Rodrigues, 1989; e Schleichkorn 1993, cit. In Martins, 2008)

Monoplegia: um membro está
afectado (S/I)
Paraplegia: as pernas estão
afectadas
Hemiplegia: um lado do corpo está
afectado (D/E)
Quadriplegia: as pernas e os
braços estão afectados
(Heward, 2000; Smith, 1998; Rodrigues, 1989; e Smith et al., 1995, cit. In
Martins, 2008)
POSSÍVEIS PROBLEMAS ASSOCIADOS
Martins, (2008) enumera alguns
problemas associados:
·
Sensoriais e perceptivos
·
Epilepsia
·
Cognitivos
·
Comportamentais/emocionais
·
Aprendizagem

“Condição, caracterizada por uma malformação congénita da coluna vertebral
durante o desenvolvimento fetal, resultante do encerramento anormal do tubo
neural.” (Hallahan & Kauffman, 2003; Heward, 2000,
cit. in Martins, 2008)
Segundo Hallahan & Kauffman, (2003) & Heward, (2000), cit. in
Martins, (2008) existem 3 tipos de Espinha Bífida:
Oculta - pode não causar qualquer
sintomatologia e caracteriza-se por apenas envolver a coluna vertebral, sendo
que não há envolvimento da medula e das meninges. É o tipo menos grave e o mais
comum: uma ou mais vértebras não se formam normalmente, mas a espinal-medula e
as camadas de tecido (meninges) que a rodeiam não emergem. No local podem
observar-se uma madeixa de pêlos, uma cavidade ou uma área pigmentada.
Meningocelo e Mielomeningocelo – surgem como uma estrutura
semelhante a uma saliência na coluna na altura do nascimento.
No primeiro caso há saída dos revestimentos da medula, isto é, as meninges
(3 membranas que envolvem todo o SNC. No segundo caso, pela saída, para além
das meninges, da própria medula.
Relativamente ao tratamento da Espinha Bífida Martins (2008) afirma o
seguinte:
O tratamento desta afecção implica, geralmente, o recurso à cirurgia, para se
fazer o encerramento da abertura, preservando a função da espinal medula e
reduzindo o risco de infecção. Esta cirurgia realiza-se, geralmente, nos
primeiros dias de vida, pois quanto mais precoce maior é a probabilidade de
preservar a função da medula. Frequentemente serão necessárias cirurgias
adicionais e grandes cuidados médicos ao longo de toda a vida.
Nos casos mais severos de espinha bífida, o bebé é operado 24 horas após o
nascimento. A cirurgia para minimizar o risco de infecção e para preservar as
funções da medula.
No caso da meningocelo que não envolve a medula, pode ser reparado
cirurgicamente, sem paralisia.
A espinha bífida oculta, na maior parte dos casos não requer tratamento.
Para além destas intervenções, as crianças com esta afecção têm de ser
educadas, de modo a aprenderem a viver com as suas limitações, aprendendo a
utilizar a cadeira de rodas ou muletas, para melhorar a sua mobilidade. Há,
também, caso seja necessário, que intervir sobre o controlo dos esfíncteres,
para que elas se tornem mais independentes.
Possíveis problemas associados:
·
Problemas de sensibilidade/motores em determinadas partes do corpo (abaixo
da lesão)
·
Hidrocefalia
Suplementação com ácido fólico durante a fase inicial da gravidez reduz
dramaticamente a incidência da espinha bífida e dos outros defeitos do tubo
neural (iniciada antes da concepção, quando possível).
Alimentação equilibrada (alguns vegetais, gema de ovo e alguns frutos e
seus sumos e em cereais e no pão, que são sinteticamente fortificados com esta
substância).
Suplemento vitamínico.
(Smith, 1998; Hardman, Egan e Drew, 1996; e Cuberos, et al., 1991, cit. in
Martins, 2008)
Acumulação de líquido
cefalorraquidiano no cérebro
“Derivação: A derivação coloca-se entre os ventrículos cerebrais e desde a
cabeça vai por baixo da pele até à cavidade abdominal ou, ocasionalmente, até
outro ponto. Esse dreno contém uma válvula que permite que o líquido saia do
cérebro se a pressão aumentar demasiado. Mesmo que algumas crianças não
necessitem dele quando crescem, uma vez colocado, geralmente não se retira.” (Smith, 1998; Hardman, Egan e Drew, 1996; e Cuberos, et al., 1991, cit. in
Martins, 2008)
Líquido cefalorraquidiano
“Líquido incolor que tem na sua composição água com traços de proteína,
glicose, linfócitos e algumas hormonas. O líquido formado diariamente é quase
todo reabsorvido para o sangue. A sua função principal é…. Almofadar o SNC, de
forma a protegê-lo contra possíveis traumas.” (Smith,
1998; Hardman, Egan e Drew, 1996; e Cuberos, et al., 1991, cit. in Martins,
2008)

DEFINIÇÃO DE DISTROFIA MUSCULAR
Termo utilizado para englobar um conjunto de problemas (genéticos)
musculares.
Enfraquecimento e incapacidade, progressiva, de utilização do
músculo-esquelético, debilidade do músculo cardíaco e respiratórios.
Pode conduzir a complicações de saúde que podem ser graves.
Existem diferentes tipos de distrofia muscular (Ex.: Duchenne).
(Heward, 2000; Hardman e Drew,
1996; e Smith et al., 1995, cit. in Martins, 2008)
ETIOLOGIA DA DISTROFIA MUSCULAR
“Ausência/produção insuficiente da proteína distrofina (é supostamente
responsável pela manutenção da estrutura das células musculares). Gene
recessivo ligado ao cromossoma X. Afecta principalmente rapazes, que herdam a
doença das mães, que embora fosse portadora, não manifesta a doença porque o
cromossoma X normal compensará a anomalia genética do outro cromossoma X
anómalo. Em contrapartida, qualquer homem que receba o cromossoma X anómalo
manifesta a doença.”
(Heward, 2000; Hardman e Drew, 1996; e Smith et al., 1995, cit. in Martins,
2008)
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
ESPECÍFICAS (DAE)
COMPORTAMENTOS EXIBIDOS POR ALUNOS
COM DAE
AS CRIANÇAS COM DAE PODEM APRESENTAR
DEFINIÇÃO PORTUGUESA DE DAE
(CORREIA, 2005, CIT. IN CORREIA, 2008A)
“As dificuldades de aprendizagem específicas
dizem respeito à forma como um indivíduo processa a informação – a recebe, a
integra, a retém e a exprime – tendo em conta as suas capacidades e o conjunto
das suas realizações.
As dificuldades de aprendizagem específicas
podem, assim, manifestar-se nas áreas da fala, da leitura, da escrita, da
matemática e/ou da resolução de problemas, envolvendo défices que implicam
problemas de memória, perceptivos, motores, de linguagem, de pensamento e/ou
metacognitivos.
Estas dificuldades, que não resultam de privações
sensoriais, deficiência mental, problemas motores, défice de atenção,
perturbações emocionais ou sociais, embora exista a possibilidade de estas
ocorrerem em concomitância com elas, podem, ainda, alterar o modo como o
indivíduo interage com o meio envolvente.”
COMPORTAMENTOS EXIBIDOS POR ALUNOS COM
DAE
Correia (2008a) enumera alguns comportamentos
exibidos por alunos com DAE:
·
Lêem ota em vez de ato
·
Dizem que um b é um d e que um q é um p
·
Omitem, saltam ou adicionam palavras a um texto
·
Não sabem, hoje, a tabuada que sabiam ontem
·
Dão a mesma resposta a 3 problemas de matemática
·
Confundem ontem com amanhã
·
Não conseguem repetir o que acabaram de ouvir
·
Não vêem diferenças entre pá, pé e pó
·
Escrevem 41 em vez de 14
·
Parecem estar sempre a falar e a rir
·
Conseguem falar sobre Platão, mas não conseguem
nomear os dias da semana
·
Não prestam
atenção a quem fala com elas
·
Conseguem
lembrar-se de anúncios televisivos, mas não conseguem lembrar-se do seu número de
telefone
·
Parecem não
ver para onde se dirigem, batem nas portas, nas cadeiras, tropeçam nos próprios pés…
·
Muitas gostam
que tudo seja feito da mesma forma
·
Perdem coisas
ou não sabem onde as põem (livros, lápis…)
·
Esquecem-se
para onde devem ir
·
Distraem-se
com muita facilidade
·
Por vezes
parecem não recordar-se de nada
·
Têm
dificuldade em executar tarefas que lhes são pedidas
·
É-lhes difícil
seguir instruções
AS CRIANÇAS COM DAE PODEM APRESENTAR
Correia, (2008a) refere ainda que as crianças com
DAE podem apresentar:
·
Atrasos na aquisição da linguagem
·
Discapacidades de comunicação
·
Problemas perceptivo-motores
·
Problemas em perceber estímulos visuais, mas não
são deficientes visuais
·
Problemas quanto à recepção de informação, mas
não são deficientes auditivos
·
Problemas de atenção, de memória, de pensamento,…
·
Problemas na aprendizagem da leitura, da escrita,
do cálculo
·
Problemas de aprendizagem significativos numa ou
mais áreas académicas, mas não são deficientes mentais
·
Problemas de índole socioemocional, mas não são
perturbados emocionais
·
Problemas de auto-conceito e de auto-estima
DISLEXIA
Incapacidade severa de leitura (Hallahan,
Kauffman e Lloyd, 1999); dificuldade no processamento da linguagem cujo impacto
se reflecte na leitura, na escrita e na soletração (NCLD, 1997); problemas
graves na leitura, reflectindo-se ainda na soletração e na escrita
(transposição de letras e sílabas e problemas de articulação). (Correia, 2008a)
Tipos de dislexia segundo Correia
(2008a):
No caso da dislexia auditiva, o cérebro
tem dificuldade em processar e interpretar a informação que é ouvida, ou seja,
neste caso o problema tem origem no percurso do estímulo auditivo até ao córtex
auditivo.
No caso da dislexia visual, o problema tem
origem no percurso do estímulo visual até ao córtex visual, portanto, prende-se
com a forma como o cérebro processa e interpreta esse estímulo.
Quanto à dislexia mista, alguns dos
problemas podem ser do tipo auditivo, ao passo que outros podem inscrever-se no
tipo visual.
Sinais de alerta
No site da Associação
Portuguesa de Dislexia encontramos alguns sinais de alerta:
Problemas de Aprendizagem relacionados
·
Dificuldades na
linguagem oral
·
Não associação de
símbolos gráficos com as suas componentes auditivas
·
Dificuldades em
seguir orientações e instruções
·
Dificuldade de
memorização auditiva
·
Problemas de
atenção
·
Problemas de
lateralidade
Na leitura e/ ou na escrita:
·
Possíveis
confusões (ex: f/v; p/b; ch/j; p/t; v/z ; b/d...)
·
Possíveis
inversões; (ex: ai/ia; per/pré; fla/fal; cubido/bicudo...)
·
Possíveis
omissões: (ex: livo/livro; batata/bata...)
DISGRAFIA
“Dificuldade na escrita relacionada com a aptidão
mecânica. Os problemas estão relacionados com a componente grafomotora (padrão
motor) da escrita (e.g., forma das letras, espaço entre palavras, pressão do
traço).” (NCLD, 1997)
DISORTOGRAFIA
“Dificuldade/Discapacidade na aprendizagem da
linguagem escrita. Os erros são apenas na escrita, não se repetindo na leitura.
Os problemas podem estar relacionados com a soletração e com a produção de
textos escritos.” (NCLD, 1997)
DISCALCULIA
“Dificuldade/Discapacidade severa na realização
de cálculos matemáticos.” (Hallahan, Kauffman e Loyd, 1999)
DISPRAXIA (APRAXIA)
“Dificuldade na planificação motora, cujo impacto
se reflecte na capacidade de um indivíduo coordenar adequadamente os movimentos
corporais.” (NCLD, 1997)
PROBLEMAS DE PERCEPÇÃO AUDITIVA
“Problemas na capacidade para perceber as diferenças
entre os sons da fala e para sequenciá-los em palavras escritas; é uma
componente essencial no que respeita ao uso correcto da linguagem e à
descodificação da leitura.” (NCLD, 1997)
PROBLEMAS DE PERCEPÇÃO VISUAL
“Problemas na capacidade para observar pormenores
importantes e dar significado ao que é visto; é uma componente crítica no
processo de leitura e de escrita.” (NCLD, 1997)
PROBLEMAS DE MEMÓRIA (DE CURTO E
LONGO PRAZO)
“Dificuldades em armazenar e/ou recuperar ideias
ou factos como, por exemplo, quando se apela à lembrança de números
telefónicos, de endereços e/ou de instruções para realizar uma tarefa.”
(Correia, 2008a)
Correia,
(2008a), identifica as seguintes possíveis causas das DAE:
CAUSAS ORGÂNICAS
Factores pré-natais
(Ex.: Factores teratogénicos (que provocam o
desenvolvimento de anomalias durante a gestação, ou seja, crescimento anormal
ou malformação do feto) como, por exemplo, o álcool, cocaína e chumbo)
Factores peri-natais
(Ex.: Anoxias; uso de fórceps; prematuridade)
Factores pós-natais
(Ex.: Traumatismo craniano; meningites;
encefalites; diabetes)
Factores hereditários
(Hereditariedade/transmissão genética – estudos
com gémeos monozigóticos e dizigóticos tendo por base os problemas na leitura;
familialidade – tendência de ocorrência de um problema numa família como, por
exemplo, uma dislexia)
CAUSAS EDUCACIONAIS
Atrasos de maturação
(Maturação lenta dos processos visual, motor, de linguagem
e de atenção que constituem a base do desenvolvimento cognitivo/Igualar o
currículo ao nível de prontidão da criança)
Estilos cognitivos
(Forma como um indivíduo percebe, recorda e
resolve problemas ao interagir e estar no mundo/Adequar estratégias aos estilos
de aprendizagem da criança)
CAUSAS AMBIENTAIS
Estas causas assentam em teorias que advogam que
há factores ambientais que contribuem para o aparecimento de DA em crianças
tidas como “normais”, ou para o agravamento dos défices que elas possuem,
considerando-os como “forças, condições ou estímulos externos” que colidem com
a criança afectando-lhe a sua capacidades de realização escolar.
a) Malnutrição
e estimulação deficitária
b) Diferenças
socioculturais
c) Clima
emocional adverso
d) Tóxicos
ambientais
e) Dispedagogias
/ Ensino inadequado
As
características das DAE são assim enumeradas por Correia, (2008a):
ACADÉMICAS
(Leitura,
escrita, matemática)
COGNITIVAS
(Atenção,
memória, percepções, resolução de problemas, metacognição…)
SOCIOEMOCIONAIS
(Motivação,
hiperactividade, falta de percepção social, autoconceito…)
“Desordem do
desenvolvimento caracterizada por uma dificuldade significativa em comunicar e
interagir socialmente e pela presença de comportamentos atípicos tal como
respostas inusitadas à sensação, movimentos repetitivos e insistência nas
rotinas ou uniformidade. O Autismo começa a notar-se entre os 18 e os 36 meses,
embora muitas das vezes não seja diagnosticado até aos cinco anos de idade. O
diagnóstico baseia-se nos comportamentos exibidos e não em assumpções médicas,
anatómicas ou genéticas.” (Diagnostic and Statiscal Manual of
Mental Disorders, Fouth Edition, Text Revision, cit in Correia, 2008c)
No entanto, quando uma criança não atinge cabalmente os
critérios do autismo, há pelo menos uma outra classificação, integrada nas chamadas
desordens do espectro do autismo, que importa conhecer: a síndrome de asperger.
“A criança com Síndrome de Asperger, embora apresente alterações
importantes no relacionamento social e ocupacional, não evidencia atrasos clinicamente
significativos ao nível da linguagem, do desenvolvimento cognitivo, na
aquisição das funções adaptativas e de autonomia.” (Diagnostic and Statiscal Manual
of Mental Disorders, Fouth Edition, Text Revision, cit in Correia, 2008c)
Segundo a Federação Portuguesa de Autismo, estão ainda por esclarecer completamente. As
evoluções na pesquisa científica têm vindo a apontar para o facto de poderem
existir diversas causas, algumas presentes, outras não, em determinada pessoa:
·
Parece existir uma
pré-disposição genética que pode dar origem ao aparecimento de autismo;
·
Alguns factores
pré e peri-natais podem também ter um papel determinante;
·
Pode ter de haver
uma conjunção entre o potencial genético e o meio ambiente (ex: infecções
virais; exposição a determinados componentes do ambiente; desequilíbrios
metabólicos);
·
Uma causa
conhecida reúne o consenso: o autismo é causado por anomalias nas estruturas e funções cerebrais.
Em todo o mundo, o autismo
manifesta-se de forma independente da raça, cultura, educação ou classe social
dos indivíduos.
A Federação Portuguesa de Autismo, destaca algumas pistas para a
intervenção no Autismo:
Atenção Mútua / Envolvimento Mútuo
·
Seguir e entrar na actividade da criança
·
Persistir
·
Tratar o que a criança faz como intencional
·
Colocar-se à frente da criança
·
Entrar nas actividades perseverativas
·
Não usar o “não” ou o evitamento como uma rejeição
·
Expandir, expandir, expandir - continuar, fazer-se desentendido, fazer coisas
erradas, cumprir as ordens, interferir, …
·
Nunca interromper ou mudar de assunto enquanto houver interacção
·
Insistir numa resposta
Planeamento Motor
·
Tratar todos os comportamentos como se fossem intencionais
·
Criar problemas para resolver
·
Fornecer um destino para as acções
Simbolização
·
Responder a desejos reais através do faz-de-conta
·
Substituir objectos por outros, dar significado simbólico a objectos e
gestos
·
Desenvolver as ideias da criança
·
Falar com os bonecos
Para finalizar a Federação Portuguesa de Autismo, descreve as principais
perturbações no Autismo:
Ao nível dos défices cognitivos salientam-se
dificuldades relacionadas com:
·
Atenção – a criança com autismo responde apenas a uma parte
restrita do meio envolvente “túnel de atenção”.
·
Organização – a criança com autismo manifesta dificuldades em
perceber o que a rodeia e em prever acontecimentos.
·
Generalização
– a sua aprendizagem refere-se
sempre a uma situação específica e falha na generalização a novas situações.
Ao nível das alterações
sensoriais salientam-se:
·
Inconsistência das suas reacções à estimulação.
·
Hiper-sensibilidade / Hipo-sensibilidade a determinados estímulos.
Ao nível das alterações sociais salientam-se:
·
Empatia – dificuldade de se situar em relação aos outros, e em
compreender e prever o seu comportamento.
·
Reciprocidade – relacionada com a capacidade para iniciar a interacção
social com o outro. A criança demonstra, mesmo que com interesse na interacção,
dificuldade em a iniciar e manter de forma espontânea.
·
Contacto
visual – fugaz e
irregular. Pouco intencional a nível social e do estabelecimento da relação com
o outro.
Ao nível das alterações comunicacionais:
·
Compreensão/Expressão
– relacionado com a
dificuldade em interpretar “sinais” próprios da comunicação (ex. estados de
espírito, emoções).
·
Reciprocidade
– relacionada com a utilização
social da linguagem (verbal e não verbal) e com a dificuldade em iniciar e/ou
manter um diálogo coerente com o interlocutor (ex: pragmática do discurso).
·
Interpretação
literal – grandes
dificuldades na compreensão de metáforas e ironias, ou na leitura de um
“significado”, a partir do contexto.
Ao nível das alterações comportamentais:
Aderência a
rituais não funcionais
·
Previsibilidade
– necessidade de um ambiente
estruturado e constante que permita à criança “saber o que vai acontecer”
(resistência à mudança).
·
Medos – surgem muitas vezes relacionados com a não
compreensão do que a rodeia.
·
Compreensão
– necessidade da
criação de rotinas e hábitos de trabalho.
DESORDEM
POR DÉFICE DE ATENÇÃO E HIPERACTIVIDADE (DDAH)
DEFINIÇÃO DE (DDAH)
“É caracterizada por frequentes estados de desatenção, de
impulsividade e, geralmente, por um excesso de actividade motora
(hiperactividade) que podem interferir com a capacidade do indivíduo para a
aprendizagem: pode ocorrer concomitantemente com as DA.” (NCLD,
1997)
Correia (2008a) caracteriza o diagnóstico da Desordem por Défice de Atenção e Hiperactividade da forma
que se segue.
A.
(1) ou (2):
1)
Seis ou mais dos
seguintes sintomas de falta de atenção devem persistir pelo menos durante seis
meses com uma intensidade que é desaptativa e inconsistente, em relação ao
nível de desenvolvimento.
Falta de atenção
a)
com frequência não
presta atenção suficiente aos pormenores ou comete erros por descuido nas
tarefas escolares, no trabalho ou noutras actividades lúdicas;
b)
com frequência tem
dificuldade em manter a atenção em tarefas ou actividades;
c)
com frequência
parece não ouvir quando se lhe dirigem directamente;
d)
com frequência não
segue as instruções e não termina os trabalhos escolares, encargos ou deveres
no local do trabalho (sem ser por comportamentos de oposição ou por
incompreensão das instruções);
e)
com frequência tem
dificuldades em organizar tarefas ou actividades;
f)
com frequência
evita, sente repugnância ou está relutante em envolver-se em tarefas que
requeiram um esforço mental mantido (tal como trabalhos escolares ou de casa);
g)
com frequência
perde objectos necessários a tarefas ou actividades (por exemplo, brinquedos,
exercícios escolares, lápis, livros ou ferramentas);
h)
com frequência
distrai-se facilmente com estímulos irrelevantes;
i)
com frequência
esquece-se das actividades quotidianas.
2)
Seis ou mais dos
seguintes sintomas de hiperactividade-impulsividade persistiram pelo menos
durante seis meses com uma intensidades que é desaptativa e inconsistente com o
nível de desenvolvimento.
Hiperactividade
b)
com frequência
movimenta excessivamente as mãos e os pés, move-se quando está sentado;
c)
com frequência
levanta-se na sala de aula ou noutras situações em que se espera que esteja
sentado;
d)
com frequência
corre ou salta excessivamente em situações em que é inadequado faze-lo (em
adolescentes ou adultos pode limitar-se a sentimentos subjectivos de
impaciência);
e)
com frequência tem
dificuldades para jogar ou dedicar-se tranquilamente a actividades de ócio;
f)
com frequência
“anda” ou só actua como se estivesse “ligado a um motor”;
g)
com frequência
fala em excesso.
Impulsividade
a)
com frequência precipita
as respostas antes que as perguntas tenham
acabado;
b)
com frequência tem
dificuldade em esperar pela sua vez;
c)
com frequência
interrompe ou interfere nas actividades dos outros (por exemplo, intromete-se
nas conversas ou jogos).
B.
Alguns sintomas de
hiperactividade-impulsividade ou de falta de atenção que causam défices surgem
antes dos 7 anos de idade.
C.
Alguns défices
provocados pelos sintomas estão presentes em dois ou mais contextos (por
exemplo, escola ou trabalhos e em casa).
D.
Devem existir provas
claras de um défice clinicamente significativo do funcionamento social,
académico ou laboral.
E.
Os sintomas não
ocorrem exclusivamente durante uma Perturbação Global do Desenvolvimento,
Esquizofrenia ou outra Perturbação Psicótica e não são melhor explicados por
outra perturbação mental (por exemplo, Perturbação Dissociativa ou Perturbação
da Personalidade).
FACTORES QUE PODEM DESENCADEAR CRISES EPILÉPTICAS
COMO AGIR
PERANTE UMA CRISE DE EPILEPSIA
O QUE NÃO SE DEVE FAZER PERANTE UMA
CRISE DE EPILEPSIA
DEFINIÇÃO
DE EPILEPSIA
“É uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro,
que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante
alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorrectos, que
podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Se ficarem restritos, a
crise será chamada parcial; se envolverem os dois hemisférios cerebrais,
generalizada. Por isso, algumas pessoas podem ter sintomas mais ou menos
evidentes de epilepsia, não significando que o problema tenha menos importância
se a crise for menos aparente.” (Liga Brasileira de Epilepsia)
SINTOMAS DA EPILEPSIA
“Em crises de ausência, a pessoa apenas se apresenta
"desligada" por alguns instantes, podendo retomar o que estava a
fazer logo em seguida. Em crises parciais simples, o paciente experimenta
sensações estranhas, como distorções de percepção ou movimentos descontrolados
de uma parte do corpo. Pode sentir um medo repentino, um desconforto no
estômago, ver ou ouvir de maneira diferente. Se, além disso, perder a
consciência, a crise será chamada de parcial complexa. Depois do episódio,
enquanto recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter deficits de memória.
Em crises tónico-clónicas, o paciente primeiro perde a consciência e cai,
ficando com o corpo rígido; depois, as extremidades do corpo tremem e
contraem-se. Existem, ainda, vários outros tipos de crises. Quando elas duram
mais de 30 minutos sem que a pessoa recupere a consciência, são perigosas,
podendo prejudicar as funções cerebrais.” (Liga Brasileira de Epilepsia)
FACTORES QUE PODEM
DESENCADEAR CRISES EPILÉPTICAS
A Liga Portuguesa Contra a Epilepsia, destaca alguns factores
que podem desencadear Crises Epilépticas:
·
Mudanças súbitas
da intensidade luminosa ou luzes a piscar, alguns doentes têm ataques quando
vêem televisão, jogam no computador ou frequentam discotecas
·
Privação de sono
·
Ingestão alcoólica
·
Febre
·
Ansiedade
·
Cansaço
·
Drogas ilícitas
·
Alguns
medicamentos
COMO AGIR
PERANTE UMA CRISE DE EPILEPSIA
Ainda de acordo com a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia, destacamos
os passos a segui perante uma Crise de Epilepsia:
|
|
·
Mantenha-se calmo e acalme quem assiste à crise. |
|
·
Coloque a pessoa de lado com a cabeça baixa, de modo a que a saliva possa
escorrer para fora da boca. |
|
|
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·
Desaperte a roupa à volta do pescoço. |
|
·
Ponha qualquer coisa macia debaixo da cabeça, ou ampare esta com a sua
mão, impedindo-a de bater no chão ou contra objectos. |
|
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|
·
Permaneça junto da pessoa até que volte a respirar calmamente e comece a acordar. |
|
·
Ofereça-se para ajudar no regresso a casa ou chamar alguém da família. |
|
O QUE NÃO SE DEVE FAZER PERANTE UMA CRISE DE EPILEPSIA
Tendo como referência a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia, aqui
deixamos algumas informações de como não se deve proceder perante uma crise de
Epilepsia:
·
Não coloque na boca da pessoa (colheres, objectos de madeira, lenços, nem
dedos). Não puxar a língua.
·
Não a tente acordar, não a force a levantar-se.
·
Não lhe dê de beber.
A Liga Portuguesa Contra a Epilepsia, indica algumas sugestões
para viver melhor com a Epilepsia:
·
Epilepsia é a doença cerebral mais comum, atingindo todas as idades, raças,
camadas sociais e nacionalidades.
·
Em Portugal há 40 a 70 mil pessoas com epilepsia.
·
A epilepsia pode ser causada por várias afecções cerebrais, incluindo
traumatismos, infecções, acidentes vasculares.
·
A epilepsia não é contagiosa, não é causada por forças sobrenaturais, não é
um castigo, não é perigosa para as outras pessoas.
·
No intervalo entre as crises as pessoas com epilepsia são iguais às outras.
Cerca de 75% das epilepsias tratam-se com medicamentos.
·
A ignorância leva frequentemente à discriminação de pessoas com epilepsia
pela família, escola, empregadores e pela própria comunidade.